QUEIJADAS DE VILA FRANCA DO CAMPO

De tradição secular, as queijadas da “Vila” são um doce originário do Convento de Santo André, o primeiro dos Açores da 1ª Regra de Santa Clara, edificado em 1533. Nos fins do séc. XVIII vieram para o convento da Vila freiras de origem holandesa e espanhola, que confecionavam as queijadas de acordo com uma receita secular. É uma queijada macia, suculenta e doce, com larga tradição e de grande qualidade, sendo um produto emblemático do concelho de Vila Franca do Campo.

QUEIJADAS DE VILA FRANCA DO CAMPO
QUEIJADAS DE VILA FRANCA DO CAMPO

Um dos símbolos gastronómicos/culturais mais identitário, a queijada, está sempre, ou quase sempre nas imediações de um qualquer convento ou ordem religiosa.

A derivação da Queijada da Vila, está ligada ao fabrico do queijo e dos queijeiros que levavam o leite ao Convento de Santo André, da Primeira Regra de Santa Clara de Vila Franca do Campo.

Situação a que não será alheio o facto de a Vila ser ao tempo capital de S. Miguel e poder estar na linha de troca ou de difusão religiosa das receitas conventuais, que se aliaram às dos queijeiros. Esses sempre fabricaram queijadas artesanais com o coalho, depois de espremido o almeice, juntando mel de cana, e mais tarde açúcar, ao requeijão.

A Queijada da Vila serve muito bem de sobremesa, sobretudo se anteceder um ananás genuíno dos Açores, ou acompanhar um café de boa qualidade. Nas tarde soalheiras, convidam a um chá morno na brisa atlântica.

Ingredientes: 

Para a massa:

  • 250 g de farinha
  • 3 gemas pequenas ou 1 ovo inteiro
  • 1 colher de sopa de banha
  • 1 colher de sopa rasa de manteiga
  • 1 colher de sobremesa de açúcar
  • sal qb
  • água qb


Para o recheio:

  • 2 litros de leite cru
  • coalho qb
  • 6 gemas
  • 1 ovo inteiro
  • 250 g de açúcar
  • 2 colheres de sopa de manteiga
  • 1 colher de sopa rasa de farinha
  • açúcar em pó qb (açúcar inglês ou de confeiteiro).

Preparação:

  1. De véspera prepara-se o recheio: amorna-se ligeiramente o leite e junta-se-lhe o coalho nas proporções indicadas na embalagem. Abafa-se o recipiente e, sem se mexer, deixa-se coalhar. Retira-se o coalho para dentro de um pano e espreme-se para sair o soro de modo a obter-se uma massa bem seca. Amassa-se este coalho para ficar muito fino.
  2. Junta-se as gemas, a clara, o açúcar, a manteiga e a farinha; depois de bem misturado leva-se este preparado a cozer em lume brando só até levantar fervura. Retira-se do calor e depois de arrefecer um pouco passa-se por uma peneira ou passador fino. Conserva-se no frigorífico.
    No dia seguinte prepara-se a massa: amassam-se os ingredientes indicados com um pouco de água morna de modo a obter-se uma massa que se possa estender. Embrulha-se num guardanapo e deixa-se descansar.
  3. Com o rolo e um polvilho de farinha estende-se a massa muito fina.
  4. Com um copo ou um corta-massas corta-se a massa em circunferências com 12 cm de diâmetro. À medida que se cortam estas circunferências vão-se deixando ao ar sobre a mesa. Em seguida, no centro de cada circunferência coloca-se um montinho do recheio preparado. Ajeita-se este recheio e com um palito de madeira puxa-se a massa para cima, encostando-a ao recheio e fazendo como que uma caixa canelada.
  5. À volta de cada queijada coloca-se uma tira de papel vegetal com cerca de 2 cm de altura e que amparará a massa; o papel prende-se com um alfinete.
  6. Levam-se as queijadas a cozer em forno médio e, depois de cozidas, polvilha-se a superfície abundantemente com açúcar em pó (inglês).

Fonte: https://tradicional.dgadr.gov.pt